Em forma de introdução devo dizer que dada a minha formação académica e até pelo facto de este ter sido o tema central da minha tese de Mestrado, seria até bastante fácil para mim falar-vos da ansiedade enquanto patologia. Dizer-vos que é uma das patologias predominantes no nosso país (e no mundo). Que não escolhe género ou idade e que é, por isso, transversal a todos nós. No entanto, penso que é muito mais interessante tanto para mim que estou a escrever como para quem está desse lado a ler que este seja um testemunho na primeira pessoa e não mais um artigo de exposição onde me ponho aqui a debitar sobre os n tipos de ansiedade, sintomatologia e tudo mais… Portanto aqui vai…

Sinto uma vontade constante de ter tudo sob controlo. Sinto a necessidade de saber ao pormenor tudo aquilo que me espera. Saber o passo a passo do meu dia, como se de um roteiro se tratasse. Quando tenho consciência que não controlo e que de facto o rumo que leva uma determinada situação não está 100% nas minhas mãos desorganizo-me – mentalmente falando. O mesmo acontece com as novas situações e com o desconhecido. Não há maneira de eu controlar algo que não conheço, não é?

Portanto, quando me deparo com situações que são uma novidade para mim e consequentemente sei que o controlo não está nas minhas mãos entro em pânico. Bloqueio. Começo a sentir o coração a acelerar, as mãos a suar, hiperventilo e sinto literalmente as pernas a tremer. Às vezes só quero que não falem comigo. Na verdade, aquilo que me dizem parece começar a ganhar distância de mim… tenho uma crise de ansiedade.

Vivo com a ansiedade desde que me conheço (não estou a exagerar) e a verdade é que apesar de não ser – de todo – algo novo para mim, não a consigo controlar. Não consigo controlar os meus pensamentos ou as respostas dadas pelo meu corpo. Acho que a melhor forma que encontro para o descrever é que viver com ansiedade é viver com amarras. É querer e não conseguir agir. Por medo… do desconhecido, do descontrolo e do imprevisto. É viver à espera do pior. É viver com a necessidade constante de estar preparada para o que de mau possa acontecer. É colocar na minha cabeça um número sem fim de cenários negativos (e até catastróficos) possíveis para uma determinada situação. É pensar até ao ínfimo pormenor naquilo que pode correr mal para que caso alguma dessas teorias venha de facto a acontecer já não seja uma novidade. Assim já estou preparada e o meu nível de controlo já não é inexistente. Até porque controlar 1% que seja é mais do que não ter qualquer controlo sob uma situação.

Depois percebi que às vezes é preciso entregar o coração à vida (metaforicamente falando claro). É preciso tomar consciência de que nem tudo está nas nossas mãos. Não temos de controlar tudo e o inesperado também pode ser positivo e trazer-nos coisas muito boas. É preciso deixar a vida andar, o mundo girar… sem medo do que pode (ou não) vir a acontecer. E o que for é. E o que tiver de ser será.

Todos os dias nos vamos deparar com situações novas… sejam elas nas nossas relações pessoais, no nosso trabalho ou até no trânsito ou no supermercado. Vai estar nas nossas mãos o controlo dessas situações? Provavelmente na maior parte dos casos não. E qual é o problema disso? Nenhum. É preciso tomar consciência e interiorizar a ideia de que não há mal nenhum se o controlo não estiver nas nossas mãos… Porque o mundo vai sempre girar…

Se tenho isto sempre presente na minha cabeça? Claro que não. No entanto faço um esforço enorme para me lembrar desta ideia sempre que possível. O mundo não acaba se eu falhar. E está tudo bem.

Share: