Atualmente o nosso estilo de vida está cada vez mais associado ao stress e podemos dizer que o stress está em todo o lado, sendo que este pode assumir diversas formas: o stress físico relacionado com o exercício, o stress ambiental que deriva das toxinas (presentes na comida que está cheia de pesticidas) e o stress fisiológico que está associado ao trabalho ou às relações que estabelecemos com os outros, por exemplo.

Somos diariamente desafiados – por nós próprios e pelos outros – a ser os melhores. Queremos mostrar ao mundo e a nós mesmos que somos capazes de fazer tudo aquilo que nos é proposto… e tudo aquilo a que nos propomos quando dizemos “é só mais isto”. A constante necessidade de aprovação e o perfeccionismo que caracterizam muitos de nós, contribuem para um aumento bastante significativo dos níveis de stress.

O maior problema está no facto de hoje já parecer de certa forma normal vivermos sob um estado de stress constante. Os dias são vividos numa autêntica correria de um lado para o outro. Parece que corremos contra o tempo e que este não chega – nunca – para fazermos tudo aquilo que queremos fazer num determinado período de tempo. O facto de não sabermos lidar com a frustração de não sermos super-heróis e de não estar ao nosso alcance fazer tudo aquilo que queremos – e como queremos – faz de nós uns stressados do pior.

 

O que é o stress, afinal?

 

O stress pode ser definido como um conjunto de respostas biológicas e psíquicas desencadeadas por uma situação/objeto que o cérebro perceciona como uma ameaça à sobrevivência.

Na prática, o que acontece é que há uma libertação rápida de hormonas como a adrenalina e o cortisol, o que faz com que exista um aumento do ritmo cardíaco e respiratório, as mãos começam a suar…

 

 

Mas como é que o stress nos pode fazer engordar?

 

O ser humano pode deparar-se com dois tipos de stress.

O primeiro tipo remete-nos para a conhecida resposta “fight or flight”, sendo que há uma resposta de stress face a um acontecimento/objeto que é percecionado como uma ameaça. Pode definir-se como o stress normal, por assim dizer.

Imaginemos que nos deparamos com um urso (aposto que isto não nos vai acontecer – espero, mas vamos supor). Quando confrontados com o objeto de stress (neste caso o urso), o corpo produz noradrenalina, um neurotransmissor que que faz aumentar o ritmo cardíaco, acelerar a respiração (entre outros sinais de stress). Nesse momento temos duas hipóteses: ou enfrentamos o urso ou fugimos. Se estivermos cara a cara com o nosso urso (e o teu urso pode ser um exame da faculdade, uma entrevista de emprego, ou literalmente um urso embora isso não seja muito provável) a última coisa que nos vai passar pela cabeça é comida. Os níveis de apetite diminuem devido à inibição do Neuropeptídeo Y (NPY) que estimula a ingestão de alimentos durante os períodos de stress agudo. É por isso que quando temos esses acontecimentos stressantes (e muitas vezes importantes) não conseguimos comer.

O segundo tipo é stress crónico que advém da exposição contínua a episódios rotineiros de stress (como estar atrasado, por exemplo).

O que acontece é que o cérebro não é capaz de diferenciar as ameaças verdadeiras daquelas que não passam de episódios normais da correria do dia a dia. Assim, tendo em conta a existência de um estímulo permanente, há uma segregação contínua de adrenalina e cortisol. No entanto, o nosso organismo não suporta ter estas hormonas sempre em circulação.

A adrenalina funciona como a cafeína e faz com que estejamos num estado de alerta. Contudo, o seu excesso pode levar-nos à exaustão – que é o que nos acontece se bebermos demasiados cafés.

A existência do cortisol mobiliza a glucose (açúcar) para a corrente sanguínea com o intuito de aumentar os níveis de energia para que possamos combater essa ameaça à sobrevivência (é isso que é o stress, lembras-te?). Ou seja, o cérebro acha que precisamos de muita energia para podermos combater essa ameaça, seja fugindo, lutando, etc. Tendo em conta que não estamos literalmente em perigo de vida e não vamos precisar dessa energia para sobreviver, esta acumula-se sob a forma de gordura na zona abdominal.

Outro aspeto que contribui para o facto de o stress nos fazer engordar: níveis elevados de cortisol diminuem a sensibilidade à leptina (hormona responsável pela saciedade). Tal faz com que tenhamos dificuldade em parar de comer já que a hormona que nos dá o sinal de que necessitamos para parar de comer não está a funcionar de forma adequada.

 

Por quê escrever sobre isto?

Sou stressada e ansiosa desde que me conheço. O meu estado normal é estar stressada, se assim se pode dizer. Sempre soube que o meu estado constante de stress me fazia comer mais, me fazia ter vontade de comer quantidades exageradas de açúcar. No entanto, embora atualmente eu não coma assim dessa forma exagerada, desadequada e desmedida, engordei. Os números que me aparecem na balança há muito que deixaram de ter a importância que tinham. O que me incomoda é realmente não me sentir confortável e saber que há um aumento da minha percentagem de gordura, sem existirem motivos (aparentes) para que isso esteja a acontecer. Por isso fui ler e pesquisar acerca daquilo que o stress está a fazer ao meu corpo. A maior conclusão que tiro de tudo isto é que é preciso relaxar e não deixar que o stress que me rodeia se apodere de mim.

Espero que este artigo tenha sido útil e que, de alguma forma, tenha ajudado a perceber o por quê de muitas vezes engordarmos, embora estejamos a fazer tudo certinho.

 

 

Referências:

Angel, S. (Eds.). (2005/2008). Dicionário enciclopédico da Psicologia. (vol. 2). Lisboa: Texto e Grafia.

Guimarães, F. (2017). Escuta o teu corpo. Lisboa: Matéria Prima Edições.

Pinto Coelho, M., Almeida, A., Santiago, C., & Rocha, P. (2017). Chegar Novo a Velho – Hormonas – O sumo da vida. Lisboa: Prime Books.

Roizen, M. F. & Oz M. C. (2006/2008). You: a sua dieta. Lisboa: Lua de Papel.

 

 

 

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