Este é um Alimenta a Mente diferente. Hoje partilho contigo o meu top 6 de livros de 2017. Estes são alguns dos livros que li este ano e que, de alguma forma me marcaram! Aposto que já os conheces a todos ou quase todos!

A ordem pela qual vou falar destes seis livros é completamente aleatória, sendo que não tem nada a ver com o meu grau de preferência.

Vamos começar?

1. Às 9 no Meu Livro da Sofia Castro Fernandes

 

 

 

Li o livro da querida Sofia em Fevereiro (sim, eu anoto na primeira página dos livros o mês e ano em que os li). Foi dos livros que entrou na minha vida na hora certa. Estava (e estou) a atravessar um período em que o objectivo era reencontrar-me, conhecer-me e arrumar todas as gavetas (muito baralhadas) da minha cabeça.

Acho que este livro nem precisa de apresentações. A Sofia escreve de uma forma tão mas tão bonita. E é mesmo muito fácil gostar dela (mesmo sem a conhecer!) e daquilo que ela nos transmite através do seu blog (e agora do livro!).

Tal como escreve a Sofia, este livro é composto por “textos desorganizados pela ordem que os dias vão trazendo, num quase diário de quem atravessa a vida com a certeza de que existe sempre uma boa razão e um lado bom para tudo o que nos acontece. Uma esperança, uma luz, o acreditar que a vida vale sempre a pena.”.

Tenho o livro cheio de post its. Foram várias as passagens com as quais me identifiquei e quero MUITO reler, agora com mais calma. No entanto, escolhi 3 que me fizeram muito sentido para partilhar contigo.

 

 

 

Repito muitas vezes que nem sempre podemos mudar a nossa realidade. Mas podemos, sempre, modificar a forma como a vemos. Podemos, sempre, escolher o filtro positivo, a lente optimista, a visão feliz.

p. 139

Os dias só são mais cinzentos se tu quiseres, as pessoas só te mandam mais para baixo se tu deixares, os problemas só não têm solução se tu os complicares, e as coisas más só têm (mais) importância se tu lha deres.

p. 147

 

E uma dieta passa a ser mais do que um plano que bate certo, mais do que umas corridas que já fazes sem esforço, mais do que aquilo que aprendeste que te faz bem, mais do que um objectivo que tem um número. Passa a ser o ponto onde paras de querer ser a pessoa que não és, onde paras de tentar mudar para que os outros gostem de ti, e onde sabes, com a maior certeza de sempre, que as tuas pessoas gostam de ti exactamente como és. E que isso não tem nada a ver com os números, balanças, objectivos, planos. Tem que ver com tudo o que és. E com tudo o que lhes basta para te verem [ser] feliz.

pp. 159,160

2. Canção de Embalar de Auschwitz de Mario Escobar

 

 

 

Sobre a lama negra de Auschwitz que tudo devora, Helene Hanneman levantou uma creche no Campo Cigano. Nesse lugar, onde a felicidade é proibida, a jovem mãe ajuda a sobreviver a pouco mais de uma centena de crianças e, a pesar do horror do campo de extermínio , Helene não desiste, nunca perde a vontade de viver nem de ajudar e ensina-nos uma lição maravilhosa sobre a coragem. Um romance emocionante baseado em factos reais, que resgata do esquecimento uma das mais comoventes histórias de heroísmo de uma mãe alemã no meio do terror nazista. Inspirado numa história real, Canção de embalar de Auschwitz é uma homenagem à bondade, à coragem e à generosidade das pessoas comuns. Um relato comovente em que se entrelaçam a vida de prisioneiros ciganos, judeus e alemães, que lutam por sobreviver no inferno do maior campo de extermínio da História

Murros no estômago? Sim, este livro é um. Apesar de este ser um tema muito forte, não é por não lermos um livro, vermos um documentário ou um filme que vamos apagar as coisas monstruosas que aconteceram nos campos de concentração. Como se não bastasse, é inspirado numa história real. O facto de termos conhecimento disso faz, ainda mais, com que sintamos aquele aperto no peito.

Raramente choro com livros  – se não me falha a memória, chorei em 4 livros em toda a minha vida – mas este não me fez só deixar cair uma lágrima. Este fez-me chorar muito. Soluçar. Roubou-me as palavras, fez-me suster a respiração e tirou-me um bocadinho o chão.

Acho MESMO que é um livro para o qual é preciso coragem, pelo menos para mim que ao todo devo ter lido cerca 4 livros sobre o tema, mas que ainda assim não deve deixar de ser lido, dado o seu impacto.

 

E, agora, quatro passagens que assinalei durante a leitura deste livro.

 

Os seres humanos são pequenos suspiros no meio do furacão das nossas circunstâncias, mas a história de Helen recorda-nos que podemos ser donos do nosso destino, mesmo que o mundo inteiro se oponha a nós.

p. 11

 

– Isso são falatórios. Os nazis não são capazes de ser tão cruéis, até esse maldito Hitler terá tido mãe e pai – disse a idosa zangada.

p. 57

 

Às vezes temos que perder tudo para conseguir obter o mais importante. Quando vidfa nos despoja daquilo que julgávamos imprescindível e nos encontramos nus diante da realidade, o essencial que é sempre invisível aos olhos, ganha a sua verdadeira importância.

p.161

 

– Todos os dias realizamos experiências com crianças de todas as idades. Primeiro investigamos e realizamos ensaios para tentar mudar o pigmento dos seus olhos, muitas das pobres criaturas morreram devido a infecções ou ficaram cegas. Agora infetamos os pequenos com todo o tipo de doenças, para os matar e fazer-lhes as autópsias. É terrível! Não posso suportar mais!

p.167

 

3. O Quarto de Jack de Emma Donoghue

 

 

Original, poderoso e soberbo, Jack é inesquecível: a coragem e o imenso amor numa história perturbante contada pela voz da inocência.
Para Jack, de cinco anos, o quarto é o mundo todo. É onde ele e a Mamã comem, dormem, brincam e aprendem. Embora Jack não saiba, o sítio onde ele se sente completamente seguro e protegido, aquele quarto é também a prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade. Contada na divertida e comovente voz de Jack, esta é uma história de um amor imenso que sobrevive a circunstâncias aterradoras, e da ligação umbilical que une mãe e filho.
O quarto é um lugar que nunca vai esquecer; o mundo é um sítio que nunca mais olhará da mesma maneira. 

 

Primeiro conheci o filme, que toda a gente devia ver. Gostei tanto da história que não descansei enquanto não li o livro. Normalmente, quando vejo primeiro o filme, quando pego no livro já não consigo sentir o entusiasmo habitual e a verdade é que sinto sempre muita dificuldade em acabar o livro. Com este livro aconteceu o oposto. Peguei nele e não conseguia largar.

É fascinante pensar naquilo que pode passar pela cabeça de um menino de cinco anos, como o Jack. Para mais, o Jack é mesmo uma criança especial, já que o mundo dele se resume ao seu quarto e à sua mãe. A sua ingenuidade é fascinante.

Como psicóloga acho também bastante interessante analisar a relação quase simbiótica que existe entre esta mãe e este menino. E, depois, todo o processo de individualização pelo qual têm obrigatoriamente de passar.

É um livro que podia ser duro (e até o é), mas que a autora conseguiu tornar em algo bastante simples que nos faz rir e chorar (sim, também chorei neste). É uma obra de arte.

 

Além disso, onde quer que veja crianças, os adultos quase nunca parecem gostar delas, nem sequer os pais. Dizem que as crianças são lindas e tão queridas, fazem com que a criança faça tudo de novo para tirarem uma fotografia, mas na verdade não querem brincar com elas, preferem beber café e falar com os outros adultos. Por vezes, uma criança pequena está a chorar e a Mamã dela nem sequer a ouve.

p. 363

 

 

4. Escuta o teu corpo, da Francisca Guimarães

 

 

 

Já falei deste deste livro anteriormente (aqui), no entanto não poderia de forma alguma deixá-lo de fora desta minha lista de livros favoritos.

Chegou na altura certa e ajudou-me a fazer as pazes comigo própria em vários aspectos. Para além,  disso ajudou-me muito a construir a relação que tenho hoje com o meu corpo e mudou a forma como o vejo e sinto.

Convido-te a ler o post Alimenta a Mente #2: Escuta o teu corpo, da Francisca Guimarães para saberes um pouco mais acerca do livro e da minha opinião sobre ele.

 

 

5. O Monge que vendeu o seu Ferrari de Robin Sharma

 

 

 

O Monge que Vendeu o Seu Ferrari é um best-seller inquestionável que oferece aos leitores uma série de lições simples e eficazes sobre como viver melhor. Combinando de uma forma inovadora a sabedoria espiritual do Oriente com os princípios ocidentais de sucesso e trabalho, mostra, passo a passo, como viver uma vida de coragem, equilíbrio, alegria.

 

Um livro life changing? É este. É um livro transformador e, acima de tudo, muito muito inspirador. É daqueles livros que queremos que toda a gente que está à nossa volta leia.

E sobre este não me vou alongar mais porque quero dedicar-lhe um post inteirinho!!

 

 

6. Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago

 

 

 

Um homem fica cego, inexplicavelmente, quando se encontra no seu carro no meio do trânsito. A cegueira alastra como «um rastilho de pólvora». Uma cegueira coletiva. Romance contundente. Saramago a ver mais longe. Personagens sem nome. Um mundo com as contradições da espécie humana. Não se situa em nenhum tempo específico. É um tempo que pode ser ontem, hoje ou amanhã. As ideias a virem ao de cima, sempre na escrita de Saramago. A alegoria. O poder da palavra a abrir os olhos, face ao risco de uma situação terminal generalizada. A arte da escrita ao serviço da preocupação cívica. 

 

Este livro é, sem qualquer margem para dúvidas, uma obra de arte. Só um Génio como o Saramago é que poderia escrever esta história.

É uma leitura complexa, como toda a obra do autor, e com uma escrita muito própria. É um livro denso que não dá para ler de um só vez, mas a sua história é completamente viciante, o que nos faz querer ler, ler e ler.

Tenho de confessar que o Ensaio sobre a Cegueira não está apenas no meu top de 2017. Este livro está no top da minha vida.

Leiam este livro, mas leiam mesmo porque é fabuloso.

 

Se eu estiver a ser sincera hoje, que importa que tenha que tenha de arrepender-me amanhã.

p. 281

 

Este é o meu top do ano. E o teu, qual é?

Já leste algum destes livros? Ficaste com curiosidade para ler algum deles?

Conta-me tudo!!

 

Share: