mudar de vida: ser saudável e feliz

A tua mudança #4: Ricardo Rodrigues do blog O Pinguim sem Asas

Segunda-feira é sinónimo da rubrica A Tua Mudança!

Esta semana temos a primeira partilha no masculino. O Ricardo Rodrigues, autor do blog O Pinguim sem Asas, deixa-nos o seu testemunho de sucesso. Uma partilha que nos mostra que querer é poder e que quando nos focamos em algo – com as motivações certas – conseguimos conquistar aquilo que ambicionamos.

 

– Qual é a história do teu peso?

 

Desde criança, sempre fui “gordinho”. Nunca tive um corpo magro, uma figura esguia até ter decidido perder peso. Era o mais lento na escola, com piores resultados em Educação Física. Enfim, essas coisas. Claro que, à medida que fui crescendo, durante aquela fase em que damos um “esticão” na altura, a minha figura já não era tão redonda e começava a ser um pouco mais esguia. Mas nunca tive aquele corpo esbelto e considerado por muitos “o ideal”.

Lembro-me de ter 12 anos e já pesar 75kg, aos 15 anos já estava com 82kg até que entrei na faculdade e rapidamente atingi os 92kg! Não digo isto “com orgulho”. Nada disso. Apenas dou a entender que sempre tive peso a mais. O peso máximo que atingi foi em Outubro de 2011 em que subi a uma balança e vi que o meu peso estava nos 100,4kg. Aqui foi quando pensei para comigo “Ricardo, tens de te controlar. Tens que fazer alguma coisa. Caso contrário, vai ser sempre a subir.”

Comecei o meu estágio e, durante o mesmo, consegui descer para os 94kg. Continuava com peso a mais, mas sempre tinha conseguido perder algum peso. Depois de ter perdido 6kg em 4 meses, sem recorrer a exercício físico nem controlar minimamente a minha alimentação, decidi que, se calhar, conseguia, pelo menos, baixar a barreira dos 90kg – algo que não sabia o que era desde os meus 19 anos. Tinha 24 na altura.

Foi aí que comecei a pensar em fazer dieta, controlar o que comia, ter mais cuidado com o que comia. No entanto, nunca conseguia baixar a barreira dos 90kg. Frustrado (quem não ficaria?) desistia. Durante 4 passagens de ano, uma das minhas resoluções de Ano Novo era sempre “Perder peso” – nunca consegui. Ao fim de um mês, não tinha os resultados que queria, desistia. Pensava “Para o ano tento novamente”.

(Agora vejo que o que me faltava na altura era foco. E estava mais preocupado com outras coisas que, para mim, eram mais importantes que o meu peso, mesmo tendo plena consciência dos riscos que isso acarretava e dos problemas que me podia trazer mais tarde)

 

 

– Quando e quais as razões que te levaram a decidir mudar de estilo de vida?

Em Março de 2015 foi quando decidi perder peso. Estava a jantar com os meus amigos e alguns estavam a falar de ginásios e exercício físico e, “de repente”, pego no telemóvel e pergunto a um conhecido meu (que sabia que era personal trainer) como é que isto funcionava, preços, disponibilidade, entre outras coisas. Lembro-me de ter começado a falar com ele e acabar três horas depois, sensivelmente.

O que me levou a decidir perder peso? Se calhar, “estar saturado” de ser o “gordinho”, de ser o “mais lento”, de ter uma figura semelhante ao boneco Michelin. Mas, e mais importante que isso, questões de saúde. Sou farmacêutico e sei perfeitamente quais as consequências de ter excesso de peso. Depois de tantas frustrações a tentar perder peso sozinho, achei que só ia lá com a ajuda de uma pessoa especializada na área, daí o meu contacto com o Sandro Silva, (ainda) o meu PT, que muito me ajudou e ainda continua a ajudar.

 

 

– O que consideras que foi mais difícil de alterar na tua vida, quando estavas em processo de emagrecimento?

Quando decidi aventurar-me nesta fase de “perder peso”, sabia que tinha que mudar quase que drasticamente a minha alimentação. Para mim, se começasse a adotar aquela postura de “não vou restringir nada, vou comer tudo aquilo que como, mas com moderação” sabia que não ia chegar longe, pois fora essa a postura que me levara a ter insucesso nas tentativas por minha conta.

Os meus amigos dizem que fui radical na minha alimentação e que o meu comportamento durante este processo de perda de peso foi drástico, mas, na minha opinião, e conhecendo-me como me conheço, tinha que ser assim.

Lembro-me de ir jantar com amigos e, enquanto eles comiam francesinha com molho e batatas fritas, eu comia um bife de peru grelhado, com arroz e salada. Ao início ficavam a olhar para mim, mas compreendiam e apoiavam esta minha decisão.

O que mudei? Reduzi imenso nas quantidades que comia, alterei por completo as proporções das refeições no meu prato, fritos uma vez por semana (às vezes duas), fastfood eliminei por completo, doces reduzi imenso. Privilegio imenso os legumes (que já comia bastantes), saladas, fruta, bolachas com baixo teor em açúcar e sal, entre outras coisas.

 

 

– Quais achas que foram os “segredos” para o teu sucesso?

Acho que o maior segredo foi o foco. Uma pessoa tem que estar focada quando decide perder peso. Uma pessoa tem de estar concentrada nisso. Tem que haver espírito de sacrifício, força de vontade, motivação e disciplina.

Se me custou as primeiras semanas de exercício físico intenso? Claro que sim. Mas ao fim da primeira semana, vi o meu primeiro objetivo atingido – ficar abaixo dos 90kg (comecei com 91kg). Pode parecer algo “fácil” de atingir, mas no meu caso, eu já não estava com um peso abaixo dos 90kg desde os meus 19 anos (tinha 27 quando comecei a perder peso), por isso foi uma primeira vitória que me soube bem! Fiquei bastante contente.

 

 

– Como foste encarando as mudanças físicas, tendo em conta os vários quilos que perdeste?

No total, perdi 16kg. Isto em cinco meses. Pelo meio, tive uma lesão na articulação da cabeça do fémur que estava inflamada, o que me levou a reduzir os exercícios de carga e aumentar os de resistência muscular, porque acho que se não fosse isso, conseguia perder os 16kg (o meu objetivo final) em menos tempo.

Ao fim de 12kg perdidos, começavam a perguntar-me se já não era peso perdido suficiente, ao que eu respondia que não. Que queria perder mais 4kg. Houve, inclusive, pessoas que acharam que eu estava a entrar num quadro de anorexia, tal era a minha vontade e foco de chegar aos 16kg perdidos. Nunca achei que iria tornar-me anorético. Tinha um objetivo e estava a lutar por ele!

As maiores mudanças foram ao nível da roupa. Comecei a ver que a minha roupa me ficava larga. As calças começaram a ter tecido a mais, as camisas idem. Usava um 46 de calças e agora uso um 38 (às vezes, 36). Nas camisas eu era um XL e agora sou um M slim fit ou até mesmo um S. Se alguma vez pensei que ia caber nestes tamanhos na idade adulta? Não. Se fiquei contente? Extremamente contente!

No entanto, foi só ao fim de um mês depois de ter perdido os 16kg que “me caiu a ficha” e me apercebi que realmente estava mais magro. Fui sair com uns amigos e tirámos uma fotografia. Olhei para ela e vi “covinhas” na minha cara e a minha cara mais ovalada e não tão redonda e com bochechas enormes. Lembro-me de ter dito em voz alta “Fogo. Estou mesmo magro!” e os meus amigos dizerem “Só agora é que te apercebeste disso?”.

Uma pessoa passa 28 anos da sua vida a habituar-se a uma figura, a uma imagem redonda, com curvas de gordura e “aceitar” a minha nova figura (que, atualmente, está mais que aceite) foi “estranho”. Quer dizer, não foi um caso de “aceitar” mas sim de me “habituar” à minha nova figura. Neste momento estou com 75kg e sinto-me bem. Acho que nunca me senti tão bem na minha vida comigo mesmo e só me arrependo de não ter feito isto há mais tempo.

Aliás, uma pergunta que faço a mim mesmo quando vejo fotos antigas minhas é “Como é que te deixaste chegar a este ponto e como é que achavas que estavas bem?”

 

 

 

 

– Se pudesses dar um conselho a alguém que está, neste momento, a pensar mudar de estilo de vida/perder peso, mas que se encontra reticente, o que dirias?

Primeiro que tudo, têm de perguntar a vocês mesmos se é isso mesmo que querem. Se estão mesmo focados em perder peso. Depois, têm que perceber o que estão a fazer mal (a nível de hábitos alimentares e estilo de vida) e corrigir aos poucos isso.

Procurar ajuda especializada não deve ser encarado como um problema ou fraqueza.

Procurem um nutricionista, inscrevam-se num ginásio. Sem dúvida que ajuda. A desculpa de “que não têm tempo” não é válida. Foi isso que disse a mim mesmo durante muitos anos e, agora, vejo que tenho tempo para ir três vezes ao ginásio. É uma questão de saber gerir o vosso tempo.

Motivação: sem dúvida. Há que estabelecer um objetivo e lutar por ele.

Espírito de sacrifício: sei que vai custar (eu já estive nessa fase), mas acreditem que vai valer a pena quando começarem a ver resultados.

Força de vontade: vocês têm mesmo que querer perder peso. Tem que lutar pelos vossos objetivos, pelas vossas metas.

Vão ser alterações que vão custar ao início, mas que, ao longo do tempo, vão ver que valeram a pena e que se vão sentir bem com as mudanças.

 

Acreditem em mim. I’ve been in your shoes! 😉

 

 

Ricardo obrigada, mais uma vez, por partilhares connosco a tua história. Parabéns por estes teus maravilhosos resultados!

 

Passem pelo O Pinguim sem Asasfiquem a conhecer melhor o Ricardo e desfrutem dos seus artigos cheios de qualidade!

 

 

 



2 thoughts on “A tua mudança #4: Ricardo Rodrigues do blog O Pinguim sem Asas”

  • Adorei o resultado final! Obrigado 🙂

    Primeira vez que partilho publicamente a minha história e acho que “fiquei” mais leve ehehe se á minha história puder servir de inspiração para alguém, então sinto que a mensagem foi transmitida!

    Beijinhos

    • Obrigada eu por teres aceite partilhar a tua história, especialmente tendo em conta que nunca o tinhas feito antes 🙂
      Tenho a certeza que irá inspirar muita gente!

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